Poesia

Era uma piscina sem bolinhas de água e sabão, uma discoteca em meio salão. Meio, pois os dançarinos ocupavam o outro meio. Aqueles que  quem é do meio consegue interagir. Aquele funk soul sudo nacional afro descendente fazia contente aqueles do primeiro meio. Eles mergulhavam, se traziam à borda e ocupavam a primeira metade do salão, na piscina.

Uma festa de chegada, assim, no meio do nada, não  nada que esperar. Sempre foi um vai e vém de um monte de gente que não se esquece e a gente vai crente, de lembrar de todo mundo no dia seguinte.

No banho flor revive momentos que marcaram sua vida.

A brincadeira é simples. Coisa que muita gente já fez e se ainda não fez, recomendo experimentar. Já até publiquei um duo poético aqui, faz tempo. Explico de novo como funciona:

Pode ser feito com duas ou mais pessoas. No caso "duo", é de dois (lógico). Uma folha em branco e uma caneta (ou qualquer coisa que escreva). Cada um escreve uma linha e dobra o papel, de forma que o próximo a escrever não veja o que já foi escrito. Vai repetindo o processo até que o papel acabe. Depois veja no que deu e se necessário, faça uns ajustes.

Nesse poema, estávamos de bobeira com a cerveja e aconteceu o seguinte:

aqui, nesse momento
o telefone toca e não atendo
continuo na mesma
a cerveja é boa e o cigarro acabou
desde que começou
gosto da noite e não quero dormir
vontade de continuar
com a música na cabeça, pensando em você
acabando com todo tormento

Leonardo Silva e Ana-Christina Veit

Victor Pitombeira, Panettiere. Atua, escreve e estuda a vida introspectivamente.

Preparando um poema

dá dois quilos de palavras
de preferência
que estejam bem frescas.
se não tiver,
pode ser umas
que estejam bem conservadas.

O Davi, meu filho, fez 2 anos no dia 3 de maio que passou. Infelizmente, por causa do acúmulo de tarefas e da sobrecarga no trabalho, não pude ir vê-lo em Minas Gerais e nem criar alguma coisa interessante em homenagem a ele para publicar aqui. Xurumelas de lado, fica mais um poema ao Davi, que quando recitado se encaixa em uma música instrumental feita por mim, a algum tempo - pra não dizer antiga.

eu gosto tanto dela( s )
ela( s )
bela( s )
me deixa( m ) sem rumo
mesmo que eu não esteja ali

de tanto ver novela( s )
eu pensei
que ela( s )
fosse( m ) um tipo
cinderela( s )
que me mostraria( m )
um pouco
talvez muito
mais de mim

É por bons motivos que eu estava injuriado. Mesmo assim não resisti. Me olhei no espelho e resolvi sair pra tentar me convencer a fazer alguma bobagem. E fiz. Calculei a hora em que as turmas saem numa sexta, fiz a barba para não parecer um cara velho, vesti uma roupa de mais cores, justa no corpo, gel no cabelo, óculos coloridos, anéis e colares... estava mesmo um tanto... não sei como dizer, mas pela rua me chamaram de "bicha", "modelo fashion", "palhaço punk" e outras como "ponto disfarçado de asterisco". Dá pra acreditar?

Quando a vi naquela varanda tive a impressão que era uma amiga de infância. Uma pessoa que comigo, sempre se deu bem e por algum motivo, mudou de endereço e acabou caindo no esquecimento por falta de contato. Pareceu uma situação daquelas onde dizemos "que bom ver você aqui, senti sua falta", mas sem precisar dizer nada. Um momento onde o tempo se desdobra intenso, quebra as regras de marcação se tornando mais parecido com o infinito. Um lapso de memória futura, lembrança de algo que ainda não aconteceu, que extravia os conceitos de acontecimento já definidos.