Crônicas

Era uma piscina sem bolinhas de água e sabão, uma discoteca em meio salão. Meio, pois os dançarinos ocupavam o outro meio. Aqueles que  quem é do meio consegue interagir. Aquele funk soul sudo nacional afro descendente fazia contente aqueles do primeiro meio. Eles mergulhavam, se traziam à borda e ocupavam a primeira metade do salão, na piscina.

Uma festa de chegada, assim, no meio do nada, não  nada que esperar. Sempre foi um vai e vém de um monte de gente que não se esquece e a gente vai crente, de lembrar de todo mundo no dia seguinte.

Reflexão da janelaO céu cinza parece confortável. Engana um pouco o calor do sol - engana, pois continua quente do mesmo jeito, abaixa um pouco aquela claridade estonteante e fica ótimo para registrar a cena urbana em fotografias. Gosto de fotos, para recordações e outras coisas. Prefiro as impressas. Se toda foto tirada digitalmente tivesse um dispositivo que nos obrigasse a imprimí-las, seria uma maravilha. Todos os momentos registrados, impressos. Como aquelas crenças de resoluções para um novo ano, que algumas pessoas insistem em escrevê-las em um papel.

Quando tive o primeiro contato com uma máquina fotográfica não tinha forma de ver a foto sem que fosse impressa. depois do filme revelado e impresso no laboratório, que podíamos gostar ou não do que foi registrado. Isso era S.E.N.S.A.S.I.O.N.A.L! Sério mesmo. A maioria ficavam ruins, mas isso não era motivo de dispensar uma memória.

Por indicação do Léo, estava eu aqui fazendo minha pesquisa, assuntando alguns sites. Sinceramente, desconhecia a magnitude do planeta blogosfera. Fui clicando igual louco nos vááários tópicos e tudo funcionou como deveria de ser. Gostei, achei interativo, engraçado, autentico e tem assunto pacaraiu! Fiz uma pausa na pesquisa de campo por volta das meianoiti pra dar um roléx básico, afinal é sexta-cheira, digo... sexta-feira... tal e coisa!

Eu presisava falar com o Diogo de Jesus e sabia que talvez pudesse encontrá-lo lá no Bar da Múmia, a dois quarteirões aqui de casa, ao fundo da igreja da Matriz. Bem, ele é um dos desassistidos assistido pelo nosso "programa de controle de homicídios" e eu tinha que dar uma notícia importante pra ele (no lugar de controle, poderia ser erradicação né?). Pois Zé! Ele está passando por umas intempéries na sua vidênha e nosotros estamos tentando ajudá-lo a se proteger de uns malelemento que querem o seu mal.

Subi no pedestal só pra ver como eram as coisas lá de cima. Gostei da adrenalina, desci pela humildade. Calei para não causar constrangimento, sem me sentir constrangido. Sentimento mexe com a gente e em muitos casos é fácil ser confundido. Saber separar não é dom. Consciência não é sinônimo de intelecto, muito menos de frieza. Evito o duplo sentido, para dar certeza. É mais difícil evitar as metáforas.

Juntei tudo que podia, demorada e custosamente, pra depois desfazer o resto. Calculei exato, em equação inteira, o gosto da umidade. Compartilhei a temperatura de meu corpo, suei quando estava frio. Sem segundas intenções. Só queria plainar. Por qualquer quantidade de tempo que fosse, desde que íntegro, fosse. Mesmo sabendo dos fatores que interferem diretamente no eu inteiro, limpo e puro, me soltei.

Chegou pra mim por e-mail, intitulado "Desabafo de um bom marido", referenciando a autoria a Luiz Fernando Veríssimo. Não sou o maior conhecedor de Veríssimo, mas duvido que seja de autoria dele. Está até bem escrito, mas o "jogo" (além de umas vírgulas em lugar inadequado - que fiz questão de deixar - e algumas expressões "óbvias") não tem muito a ver com Veríssimo. Se for, desculpa aí, Fernandão. Vou ler mais seus livros.

Não sou casado, mas o texto é esse:

É por bons motivos que eu estava injuriado. Mesmo assim não resisti. Me olhei no espelho e resolvi sair pra tentar me convencer a fazer alguma bobagem. E fiz. Calculei a hora em que as turmas saem numa sexta, fiz a barba para não parecer um cara velho, vesti uma roupa de mais cores, justa no corpo, gel no cabelo, óculos coloridos, anéis e colares... estava mesmo um tanto... não sei como dizer, mas pela rua me chamaram de "bicha", "modelo fashion", "palhaço punk" e outras como "ponto disfarçado de asterisco". Dá pra acreditar?

Quando a vi naquela varanda tive a impressão que era uma amiga de infância. Uma pessoa que comigo, sempre se deu bem e por algum motivo, mudou de endereço e acabou caindo no esquecimento por falta de contato. Pareceu uma situação daquelas onde dizemos "que bom ver você aqui, senti sua falta", mas sem precisar dizer nada. Um momento onde o tempo se desdobra intenso, quebra as regras de marcação se tornando mais parecido com o infinito. Um lapso de memória futura, lembrança de algo que ainda não aconteceu, que extravia os conceitos de acontecimento já definidos.

Fui direto ao ponto. Me encontrei. Achei o lugar do encontro. Da vista que tenho, mostro um pedaço. O suficiente para harmonizar uma melodia incompleta, dar a guia do princípio de ensaio.

No início, tudo bem. Eu ainda era criança e era fácil me fazer ficar quieto. Erá só ligar a televisão e estava eu lá. Sentadinho, bonitinho, sem dar nem um 'piu'. Também não entendia direito o quê as coisas queriam dizer.

Em pouco tempo, os aparelhos eletrônicos foram ficando cada vez mais atrativos e a tv, com seu grande porte, se destacando. Foram super-heróis, vilões, mocinhas e palhaços que iniciaram os conceitos de acreditar. Não sabia porquê, mas queria ser igual a eles.