No início, tudo bem. Eu ainda era criança e era fácil me fazer ficar quieto. Erá só ligar a televisão e estava eu lá. Sentadinho, bonitinho, sem dar nem um 'piu'. Também não entendia direito o quê as coisas queriam dizer.

Em pouco tempo, os aparelhos eletrônicos foram ficando cada vez mais atrativos e a tv, com seu grande porte, se destacando. Foram super-heróis, vilões, mocinhas e palhaços que iniciaram os conceitos de acreditar. Não sabia porquê, mas queria ser igual a eles.

Logo os super-heróis e vilões começaram a aparecer sutilmente disfarçados de outros personagens. Eram pessoas da vida real, incorporadas. Mas isso não importa. O prazer de sentí-lo incorporado, com a possibilidade da mudança de personagem a qualquer instante é o mais importante.

Hoje é uma coisa que chega e toma conta. Alguns percebem. Talvez por isso tenha gente atuando sem ser ator. Não no palco. - Quero mais é ser super-herói disfarçado de bonzinho, o vilão mal humorado, a mocinha sedutora, o palhaço ladrão de mulher. - disse o senhor sabido e bem informado. Bom, ao menos ele se considerava sabido.

Vou acabar implantando silicone, fazendo tipo em festa chique, cuidando de bebum com ataque bad trip ou sendo o bonzinho de toda história.

O lance da jogada é marcar os pontos sem deixar o que é. Mesmo porque se deixar o que é, perde pontos.

Imitar é fácil.

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aos que se identificaram

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