Juntei tudo que podia, demorada e custosamente, pra depois desfazer o resto. Calculei exato, em equação inteira, o gosto da umidade. Compartilhei a temperatura de meu corpo, suei quando estava frio. Sem segundas intenções. Só queria plainar. Por qualquer quantidade de tempo que fosse, desde que íntegro, fosse. Mesmo sabendo dos fatores que interferem diretamente no eu inteiro, limpo e puro, me soltei.

Expira... inspirei.

Árvore, por favor, multiplique-se. Quero mais de você. Deixe a timidez de lado e apareça mais. Não tem pulmão, nariz, roupa larga, nem pele macia que me aguente. Só folha que me entende. Ela que me massageia, me limpa, saboreia. Tudo bem que se eu não peço, ela não me norteia. Fica quieta, na sua. Mas é a única que sempre me espera e sofre quando uma mão diferente da minha mexe com ela. Sofre tanto que diminui de quantidade, de tamanho. Eu também acabo sentindo com isso, pois esbarro em motocicleta, semáforo, coração despedaçado, pilastra.

Do céu, saltei. Ao ar, ventei. Não tem como ser de outro jeito, meu bem. Sou instável, impalpável. Dependo de uma série de situações para estabelecer qualquer definição. Mesmo assim, cada esquina sou diferente. Meu humor incontrolável, é meu adorável, amor. Minha capacidade é infinita. Assim, de brincadeira, bagunço seu cabelo, levanto sua saia, tiro o seu chapéu e na sombra lhe faço frio. Sem pensar duas vezes. Na maior sem vergonhice. Só peço que não me irrite. Posso levar a sério e secar. Terá dificuldade de respirar. Posso realmente me descontrolar. Trazer a terra pro mar.

Considere. No espaço, sou rei.

Mas não pense que eu sou sempre assim. Tenha certeza. Também não tente mudar o que a natureza fez. Me respeite. Antes que qualquer coisa existisse, lhe respeitei. Disso, nunca deixei. Parei e lhe proporcionei, completo, uma necessidade do seu corpo. Sem pedir nem querer nada em troca.

Inspira... soprei.

O que faço, é a única coisa que sei. Com todos eu troco, porque diferente disso, não farei. Demorei, mas percebi que quando volto a um lugar pela segunda vez, me alterei. Natural. Ser de outro jeito, não sei. Até mesmo se quiser me preservar num pote, igual, nunca serei.

Na hora em que tudo estiver organizado, esclarecido e livre de conceito equivocado, não me avise. Perceberei. Sentirei, a cada mutação minha, a percepção sua. Incluso vice e versa. Completo, refiz o início.

Espirra... Saúde.

Na foto, Deby, que gentilmente cedeu a imagem.

imagem de Flor Britto
# - Flor Britto ter, 21/10/2008 - 06:15

Nossa...que brisa.

Rá, sacou o trocadilho?!? rá rá xD

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