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Produção Cultural



Como não divulgar um evento #2

Quem está acompanhando a série e viu o #1, vai entender perfeitamente o que direi agora: Como é que vou num evento divulgado com um flyer tão informativo como esse?

Como não divulgar um evento #1

Preciso corrigir uma coisa: No outro post eu disse que as divulgações sempre chegam de pessoas, geralmente artistas e produtores. Me enganei e peço desculpas. Acho que por causa do grande volume de e-mails, algumas coisas passam despercebidas aos olhos apressados.

Situação explicada, gerou até uma nova série. Para me redimir, deixo um bom exemplo de como não se deve fazer uma divulgação:

Eu, particularmente, gosto de comer na lancheria do parque e sempre chegar mais cedo. Tem um cachorro quente "da hora" lá.

O nome da banda é interessante... e quem pensava que o Ocidente era uma parte do planeta se enganou: é onde se encontram o João Telles e o Osvaldo Aranha para tomar uma cerveja! Só falta eles passearem "de teia" cortando os céus entre os carros.

Dica de divulgação para eventos #1

therablue.jpg

Minha caixa de e-mails grita comigo todos os dias, de tanto que abusam dela, com divulgações, notícias, spams... e ultimamente grita por causa do tanto de divulgações de eventos que eu não consigo entender como é que alguém deixou que tal coisa fosse enviada.

Vou expor algumas situações em forma de exemplos e o que resta de comentário, vai mais ao final.

Situação 1:

"Super show de uma banda super legal! Vamos nessa, gente!
É na praça da matriz às 21h."

Situação 2:

"O grupo de dança Xis, altamente conceituado e ganhador de uma série de festivais (e entra um release muito bom sobre o trabalho, bem escrito, cheio de informações sobre a apresentação, filosofias, objetivos... uns quatro ou cinco parágrafos de dar água na boca e deixar a gente cheio de vontade de assistir) ...

Local: Rua Padre Anchieta 800, em frente a Escola de Engenharia, a 200m do McDonald's."

Situação 3:

"Amigux!!!!!! Hoje estarei expondo minhas telas no Dancing Days!!!! Expero vc lá!!!! Bjuxxxx!!!!!"

Situação 4:

"O espetáculo Não Dá a Mínima faz curta temporada na sua cidade (aqui entra um release razoável, bem escrito, que deixa curioso por não dar muitos detalhes). Somente este fim de semana. Não perca!

Sexta e sábado 21h. Domingo 19h.
Ingressos a 10 reais com meia entrada extensível a todas as categorias.
Teatro Maria Cardoso.
Informações: 2139 9876"

Situação 5:

Uma combinação das situações já citadas e/ou variações das mesmas.

Parece incrível, impossível, mas não é! Recebo pelo menos uns 15 desses por dia. Sem exagero. O que acho ainda mais incrível, são os vários remetentes que se repetem. Nenhum dos remetentes é identificado como instituição, centro cultural, teatro ou qualquer "coisa" registrada. Vêm de pessoas, geralmente artistas e produtores.

Então fica a dica:

- Identifique o artista / a atração;
- Além do nome do local, informe endereço completo, incluindo a cidade e o estado;
- Escreva português correto, evitando ao máximo abreviações;
- Ao informar um contato, não esqueça de itens que também possam identificar a região, como o DDD.

Recebo coisas muito piores. Mas fica para uma outra vez. Acho que seguindo essa dica é muito mais fácil para atrair público e possibilitar a algumas pessoas (incluindo eu) a repassar a divulgação.

Você pode completar essa dica através de comentário.

Agradeço, assim como o público também agradece!

Na foto: A mão que segura o violão, Thera Blue e Marcos Ferraz.

Edital de Pontos de Cultura de Minas Gerais - 2009

Para o pessoal das Minas Gerais, ainda é tempo.

Inscrições até 20 de março. Este Edital tem por objetivo apoiar, por meio de repasse de recursos financeiros do Programa Mais Cultura - Pontos de Cultura, projetos de instituições da sociedade civil sem fins lucrativos, de caráter cultural, ou com histórico de atividades culturais; instituições que atuem na produção artístico-cultural há pelo menos dois anos, contribuindo para a inclusão social, a construção da cidadania, seja através da geração de emprego e renda, seja por meio de ações de fortalecimento das identidades culturais.

Saiba tudo neste link aqui.

Lei Rouanet, de tão pesada a porca já não anda

Fiz questão de deixar igual de onde foi retirado. Artigo de Carlos Henrique Machado Freitas publicado no site Cultura e Mercado.

Mergulhada nas trevas percentuais, a Lei Rouanet perdeu a luz. Seqüestrada pelo pensamento miúdo da metafísica, seu caráter de sustentação se diluiu em meio a números e planilhas atadas à teia burocrática e empresarial, desautorizando a arte como elemento de caráter político-social.

Hoje, a lei encontra-se vulgarizada e jogada meio a ações de sacrifício comercial, chamado “terceiro setor”, comandado pelo esoterismo sociocultural dos nossos Lobsang Rampas da terceira visão econômica, que andam a levantar pirâmides do Egito para se eternizarem como múmias faraônicas nessa babilônia suspensa nos jardins da Lei Rouanet.

Se, em seu caráter primário, a Lei, tem legitimidade por ser sustentada pela sociedade, por outro lado, a mesma sociedade não a reconhece mais como mecanismo de suporte de uma arte livre que reproduza as demandas críticas à mesma.

A sociedade não enxerga mais a lei como uma mola propulsora de um sistema cooperativado, suas ações não se encontram mais no terreno comum e atendem tão somente demandas institucionais de empresas e seus lógicos cartéis que a emolduraram em um anti-sistêmico neo-aristocratismo.

O MinC não sabe mais como caminhar nesse terreno espinhoso entre as duas velas que acendeu, pois, ao mesmo tempo em que discursava para os “Planilheiros Reducionistas” com promessas meramente corporativas e cantava em coro para os descontentes das correntes sintéticas, a música “No woman, no cry”, por outro lado a sociedade, pacientemente esperava a quebra de paradigmas tão anunciada que não veio. E aí, o Povo, fez linha de impedimento adiantando a defesa.

Hoje podemos identificar as politicas culturais do MinC como “o voo da galinha dos ovos de ouro” e, por conseguinte, os filhos dessa chocadeira do Estado, como os “pintos de ouro” o Jetset do pensamento superior. Essa gente, assim tão culta produz centenas projetos que não duram mais do que um final de semana em alguma paradisíaca  estância turistica e não passam de um grand slam do carnaval cultural fora de época. Gente que tenta provar, por A mais B, que ovo tem pelo, ao menos o de Colombo. E ainda dá o nome de “responsabilidade social”. E tome nomenclatura!

Esses furos n’água são feitos por empresas produtoras e capatadoras de recursos que vendem grilo manco como se fosse Saci e adaptam pedalinhos em vitória-régia para vendê-la como atrativo turístico na lagoa Rodrigo de Freitas ou na baía da Guanabara “amazônica”. Como trilha sonora, o som de uma rumba. E, servida em bandeja de prata para o turista “neoingles’, não poderíamos esquecer da, quase reedição do pequeno jornaleiro em projetos de inclusão social.

Isso é o retrato de uma política de cultura temperada com pimenta do reino, no passinho manso de um bem comportado corredor cultural que faz a sua seleção, antes pelos corredores das empresas e, ao restante que não segue  a “Teoria do Medalão”, um corredor polonês.

O que mais se parece com o MinC? Não são as fundações, as ongs, as entidades corporativas, as produtoras, as patrocinadoras e seus derivados?

Por que, então apedrejam o MinC, se tais instituições são filhas legítimas desse pensamento constituido e gerado no ventre do próprio, onde se jogou numa mesma assadeira uma massa que, na imensa maioria dos casos, sola diante do calor da fornalha da sociedade, num choque térmico?

Os neocons da “cultura de murici” estão empregnados no Estado, no governo e na estrutura privada que, por sua vez, abraça  a grande massa de recursos provenientes da leis de incentivo.

Em nenhum desses ambientes em torno da cultura brasileira há qualquer sentido de pacto federativo, há sim uma busca por metas que fazem da arte um broche qualquer pendurado em taiês e blazers presentes em jantares, reuniões e coquetéis.

Essas políticas de cultura, em síntese, vivem de um “Labirinto da saudade”, dos Poseidon’s de Abrantes  da década de 60, forjada pelo ambiente de patota que nega o passado e o futuro e abre campo para um “gran-finale pós-moderno”. Um produto que praticamente engloba todos os sentidos de plasmados projetos culturais do terceiro setor que se esbalda no beco das garrafas com rótulo de “Um bancão e um violão”, num colorido desbotado sem as curvas do nosso tempo, um tropicabossalismo boçal e cizudo, que vive de pijama e que hoje é síndico da Duvivier.

Não há nada de cientifico neste ambiente, nada que transcenda os limites da vulgaridade, do empacotamento reciclado da memória induzida. Esse embute mecanicista achou mesmo que, vencendo seu adversário, levaria o campeonato e fundaria uma torcida e que, na base do WO, venceria a própria sociedade.

A  Mediocridade de sucesso passa léguas do magnético e conteporâneo samba de roda, esses que convocaram os tambores  brasileiros para um revolução no Cacique de Ramos, os mesmos tambores que Mário de Andrade, com muita propriedade citou em seu livro, “Música de feitiçaria no Brasil”, e aconselhou nossos doutores a ouvirem a genialidade de Mano Elói em seu disco “Cantos de Macumba”. Uma estética  erudita de um Brasil africa- ameríndio e mestiçado em sua arte. Na realidade, Mário de Andrade trabalhou para que incorporássemos na leitura orquestral um desenho contextualizado, com frações e texturas melódicas, harmônicas e ritmicas, já que as amarras da liturgia de leitura gringa, fardada de verde oliva, não tinham mecanismos para tal.

Esse extra-sensorial de almeida, primo-irmão do sobrenatural de Nelson Rodrigues, não detctável pelos cabeças de planilha da MBA cultural  é mesmo uma teoria bronca para quem trata as questões culturais do Brasil com o limite de suas apostilas. Na arte eles são os eternos teóricos da lei de Darwin que devem estar se olhando demasiadamente em espelhos e vendo refletidos os seus macaqueamentos cotidianos  se despentearem ante as nossas realidades.

Eles gostam de inventar o inventado do imprevisivel combinado no ringue do telequete cultural, no eterno improviso de escalas combinadas de Berkeley’s, distante da métrica cadenciada do bailado das gafieiras.

A imagem da Lei Rouanet hoje para os milhares de artistas não cooptados e que usam a arte e não a chalaça para se expressar, é de uma máquina de moer sonhos, um brochante chá das cortes dos amantes do universalismo de transatlântico que evocam a literatura de outras causas numa liberdade de portos seguros, do turismo vigiado pela  milícia das ilhas gregas brasileiras, com seus manuais de proprietários debaixo do braço.

Estas causas poucas de si mesmo, que mapeam seus universalismos com seu descricionário e diletante sentido de universal, pois nunca quiseram universalizar a miséria e a fome. Delas, como não podem extrair a carne gorda, arrancam o couro para servir de tapete em seus ranchos abduzidos na grilagem pela lei da selva capitalista.

A lei hoje é este apanhado de interesses escusos de nobreza requentada pelos aportes do mecenato. Um turfe de burros empacados e touros sentados em penicos de ouro. Um mar de inércia e  hiprocrizia democrática.

A Lei Rouanet agora vai entrar na faca e com risco de virar um Frankenstein pelo MinC, pior, na hora de remontar a lei, vai sobrar parafuso pra todo lado. Acho mais prudente um spá e todas as técnicas de lipo, pois sabemos que este “fenômeno” de financiamento de cultura, gordo como está, serve apenas para levar chapéu de francês em orquestras em Sao Paulo  e em cursos de verão na Bahia e ainda sair vaiado pela própria torcida depois de uma chinelada histórica.

Estás com sono?

Itaú Cultural

A missão consiste em desenvolver e organizar processos e gerar conhecimento sobre as artes brasileiras; compreender as práticas culturais e, com base nelas, ampliar o acesso à cultura; e promover a participação social.

http://www.itaucultural.org.br

Só faço o que me der na TEIA

Na verdade o título pode ter uma variação, trocando "der" por "derem". Fica até mais apropriado para o que aconteceu durante todo o trabalho em Brasília, na TEIA 2008. Mas prefiro deixar assim, por causa do duplo sentido.

Imagine: Fazer funcionar, além de organizar, uma programação de seis dias de apresentações artísticas, debates, reuniões, palestras e intervenções envolvendo aproximadamente mil e quinhentas pessoas, dando hospedagem, comida, transporte e roupa lavada (esse último é exageiro) para todas elas, precisando ficar "em cima" para tudo acontecer na hora que tem de acontecer. Não é moleza. Se não puder contar com uma equipe altamente capaz e confiável, o bicho pega. Melhor, o bicho pega de qualquer jeito em um evento desse porte. Não dá pra ser diferente.

Acontece que com tantos e tão importantes nomes de patrocinadores, apoiadores e realizadores, só se pode esperar algo surpreendente. Basta descer até o rodapé da página inicial do site da TEIA 2008 e conferir. Dependendo da resolução do seu monitor pode nem caber na tela.

Uma observação: Está claramente exposto que o site foi desenvolvido com Drupal, CMS que conheço, pode-se dizer, razoavelmente bem. Quando vi o site, rapidamente e pela primeira vez, pensei que metade das coisas que estavam acontecendo naquele primeiro dia de trabalho estariam bem mais fácil de ser resolvidas. Me enganei. Mas ainda não é hora de falar do site.

Vale lembrar das primeiras palavras desse post: ... depois de me oferecer descaradamente para trabalhar ... fui convidado a prestar meus serviços ... Sem saber qual seria minha função. Se ainda resta alguma dúvida, explico melhor: Fui com vontade e de peito aberto, pro que desse e viesse (geralmente, falamos "pro que der e vier", mas o evento já passou e sou amigo da língua portuguesa).

Muito bem! Fui nomeado um dos responsáveis pela logística de transporte e hospedagem. Os responsáveis por logística também são responsáveis pela coisa toda acontecer. Daí já viu, né... é tudo por nossa conta mesmo, literalmente.

Fiquei procurando uma forma gentil e honesta para definir aqui como estava a logística de transporte e hospedagem quando eu cheguei em Brasília. Lembro que, quando cheguei, já tinha uns três meses que a galera estava produzindo. A melhor forma que encontrei foi: desinformação total. É de se espantar, eu sei. Imaginem meu espanto, ao ver pessoas tão legais e capazes sem as informações que já deveriam ter a pelo menos um mês antes da minha chegada.

Tudo bem, a gente trabalha com as ferramentas que tem. Por isso, foram dez dias de trabalho, onde os três primeiros foram sem dormir e os outros sete também. Mas demos conta de tudo e a TEIA 2008 foi um sucesso! Não vou relatar todas as reclamações e choramilguelas (existe essa palavra?) que chegaram a mim. Pode parecer que a produção estava despreparada ou que foi ruim, o que é uma mentira absurdamente pré-conceituosa.

Quero mesmo é deixar claro que todos lá "botaram pra quebrar", no melhor sentido que houver na expressão. Aproveito para agradecer algumas delas, que marcaram profundamente a minha temporada, além de serem parceiros dos melhores que possam existir: Marta, Alaor, Débora, Rose, Iuri, Dani, Lucas, Nalva, Thaís, Mel, Mura, Marcelo... e se eu estiver esquecendo de alguém, me lembre com um comentário, que eu edito esse texto.

Quem quiser pode conferir o meu relatório oficial aqui.

Que venham os próximos!

ECAD

Administrado por dez associações de música para realizar a arrecadação e a distribuição de direitos autorais decorrentes da execução pública de músicas nacionais e estrangeiras, permite que o Brasil seja um dos mais avançados países em relação à distribuição de direitos autorais de execução pública musical.

http://www.ecad.org.br

Cultura e Mercado

Cultura e Mercado é um blog coletivo que funciona como uma rede de informação sobre políticas culturais. Com jornalismo crítico e investigativo, faz análise, acompanhamento e proposição de políticas para a cultura há mais de 8 anos.

http://www.culturaemercado.com.br